Eu estava caminhando solitário no deserto gigante sob o sol escaldante que derretia minha alma.
Meus rastros se estendiam atrás de mim como uma sombra comprida consumida pelo vento.
Cobras e escorpiões roçavam meus pés no silêncio angustiante que cercava minha alma.
Eu caminhava sombrio carregando o peso dos séculos que se foram para nunca mais voltar.
O fogo invisível da tristeza consumia minha alma em sua caminhada silenciosa.
O sol se foi, a noite chegou, trazendo junto às estrelas a agonia macabra da eterna solidão.
O tempo foi-se para o nada eterno que subjaz a tudo no deserto gigante.
Sorvi o cálice dos sonhos para não morrer esmagado pela agonia terrificante que arrasava minha alma.
O passado pesava sobre mim como um iceberg gigantesco.
A madrugada chegou, trazendo o canto dolente das multidões que se foram, carregadas no bojo do tempo que nunca cessa.
Eu caminhava no frio da noite à procura de meu sonho dourado.
Os dragões do deserto acutilavam a solidão de minha alma em sua caminhada solitária.
Temi morrer esmagado sob o peso da solidão espantosa e mortificante.
Alentai minha alma, arcanjos divinos de Deus, sustentai meu coração, fadas e gnomos do bem eterno. Tende piedade de minha alma que sucumbe sob a agonia de seu eterno cansaço.
Beijai minha alma. Abri meus ouvidos à sinfonia das esferas celestes que embelezam todo o universo, para que minha alma não pereça, carente e extenuada, no imenso deserto de sua solidão.
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